
Fui passar minha saia
o ferro enguiçou
Pra fugir da raia
Me atropelou
Um
galego alto
âncora no braço
ouro no pivô
Apanhei
emprestado
ele não gostou
pindurei no cabo
do acelerador
o carango
zuniu
deu que o guarda viu
no retrovisor
Veio
é contra - mão
me multou
e
então
o ferro na mão
piorou a questão
Um cara dançou
no número1000
Puta que pariu!!!
Tatiana Cobbett

Insolente
voltar nos meus
sonhos
não tem vez
eu tomo
adiante
de direito
o não mais querer
Sevícioso
perigoso
o desejo
de nos pertencer
Foi
tarde
era cedo demais
me tirou
toda a paz
eu
que vi
seu
antever
orgulhoso
vi o esforço
o desgosto
o prazer
sonho
hoje
e
parei
de sofrer
(tatiana cobbett)

Em todo lugar
tem um infeliz
Em todo caçar
perseguição
Em todo trocar
liquidação
Em todo roubar
surge um ladrão
E todo o feliz
tem o dia cão
Em todo apostar
acreditar
Pra todo sair
Antes…entrar
Pra todo sonhar
Realizar
Pra certo …obter
Melhor pedir… conseguir
Todo prometer
Comprometer
Todo problemão
Quer solução
Em todo lugar
tem um infeliz
E todo feliz
Tem o dia cão

Servida num alguidar
de pura louça inglesa
dendê
foi pouco na mesa
farofa de macumbá
Na casca
do camarão
o sal
traço
de um bom bacalhau
Bobó que
ninguem
duvida
Em roda
risos de crianças
um balão tensionado
guardando feito
peneira
Descobre no caos
comunhão
festa de luz
chocolates
é de ficar
face
a
face
pentecoste
Divindades
(tatiana cobbett)
quadro de Joubert Moraes - exposição “Crepúsculo e Aurora” -aju/se

viés
fiéis linhas
veias de vivo
valsear
o pau
a prata
o ouro
o soprar
acorda
o toc
a tecla
o couro
o
batucar
movimento
sentimento
coração
razão
o sim
o não
sem fim
o som
foto - duda hamilton

Oxum
Mulher
sequestrada na cachoeira
Um rio
que em pororoca
dava de encontro
profundo mar
Na mão
é que está o livro
ler o destino?
quem diria!
Mesmo porquê
está dentro
do ser
e
vai sendo
O amanhã vira
ontem
e
revira
só vendo
o hoje
não custa
em passar
foto - jade moraes

Minha mãe…minha amiga…companheira de sonhos e mazelas…foi sem ter o tempo de querer ….foi assim como se já fosse a hora e nem se deu conta…asas que todo ser deseja…pássaro que era….voou
euzinha??…aos poucos vou voltando mas quero, ainda, muito longe ir…
vai
catando
migalhas
Maria!
pedrinhas de ladrilhar
semínimas
furando
o sonho
uma luz
sem porquê
negar
Vai
de pé com o infinito
Maria!
nobreza sem espaldar
com as mãos
oferece a terra
sorrindo
ondas do mar
Nem pense
verter
Maria…
Um olho
rio sem foz
Um acorde
acorda
o ar
chorar
Uma cachoeira
Nas pedras do soluçar
Tatiana Cobbett

Minha mãe
um pássaro forte, livre, harmonioso
voou
que dor…
” A cultura é tudo aquilo que nos faz viver, mais que sobreviver. Quantas emoções duradouras você pode associar a um fato cultural, quantas histórias, imagens e sons marcaram sua alma de descobertas, construíram sua personalidade, seu orgulho de pertencer a um tempo, um lugar, um povo, uma raça”
Eliana Cobbett
*Morre a primeira mulher produtora de filmes no Brasil.
(O GLOBO - Rio)
Morreu neste domingo em Florianópolis a produtora Eliana Cobbett, a primeira mulher produtora executiva de filmes no Brasil. Ao longo de sua carreira Eliana trabalhou com os principais diretores do movimento Cinema Novo. Foiu responsável pelas produtoras Tabajara Filmes e Difilmes, que distribuiu, administrou, e captou recursos para obras de Glauber Rocha, Luis Carlos Barreto, Cacá Diegues, Julio Bressane e Arnaldo Jabor. Mesmo jovem, na época, todos a tratavam com admiração e respeito e a chamavam de “Dona” Eliana.
Trabalhou em obras vencedoras de prêmios como “Jesuíno Brilhante”, dirigido pelo falecido marido William Cobbett, venceu festival na Tchecoslováquia. Também produziu “A vida e morte de Jesus Cristo”, uma das maiores bilheterias do Brasil, durante anos na Semana Santa entrava em todos os cinemas. Produziu ainda “O Grande Palhaço”, do William Cobbett, vencedor da Coruja de Ouro, e “O coronel e o lobisomen”, de Alcino Diniz.
Durante a ditadura militar a tabajara Filmes foi invadida e teve muitos documentos queimados. A sua casa também foi alvo dos militares tendo que se esconder com o marido em um apartamento no Rio. Há quase uma década Eliana residia na capital catarinense, onde desenvolvia projetos sociais como o “Crescendo com Arte”, na comunidade de Canasvieiras, no norte da Ilha de Santa Catarina. Morreu de infarto, aos 65 anos, deixou cinco filhos e uma irmã, a produtora e diretora Adélia Sampaio.*
Minha mãe
um pássaro
voou